A SUPRESA
O homem era casado...muito bem casado, com vida bem estabelecida, esposa, dois filhos, emprego estável e com tempo... Tempo disponível, para freqüentar o Mega Jogos. Entrava no Buraco, e se divertia. Era um bom papo, e sempre cortes. Raramente conversava sobre fatos pessoais. Uma destas noites, uma senhora entrou na mesa, que ele estava... conversas de mesa...nada mais que isso... No segundo dia, a mesma senhora... As mesmas conversas de sempre. Só que ele começou a se interessar, e a senhora também... Troca de Msn, inevitável... Três meses depois, já estava estabelecida uma relação extra mega. Estavam os dois apaixonados, coisa normal, dentro da internet. Ele, por sua vez, embora levasse o caso a serio, não passara para a senhora em questão, nem o verdadeiro nome, e nem números de telefone, e ela, por sua vez, recatada, também não o fizera... Se conheciam somente por nicks...normal, na vida virtual de hoje. Mas era hora de decidir algo, fora da net, e trataram de marcar um encontro. Nada de muito serio, mas que podia a ser serio, se houvesse certos acertos, entre os dois. No msn , a coisa já fervilhava. Palavras pesadas, atitudes intimas... O encontro, prometia. Cavalheiro, marcou o encontro para o Restaurante mais chique de São Paulo, um dos mais caros também. Queria impressionar. Combinaram chegar sozinhos. E perguntar um pelo outro, ao meter, que os levaria a mesa já reservada. Assim fizeram, e o homem, chegou mais cedo. Mandou avisar ao metre que se uma senhora, perguntando por ( deu seu nick) que fosse trazida a sua mesa. Meia hora depois, a senhora , já idosa, chegou ao restaurante. Deu o nome combinado, e levada foi a mesa. Um ano antes, o homem, havia dado a mãe, um micro, para a senhora, já viuva, ter algo para se distrair. Quando a senhora olhou para o cavalheiro, á mesa, caiu para traz, num desmaio. Ele havia convidado para o jantar, a própria mãe. Hoje, já divorciado, ainda freqüenta ele o Mega Jogos, mas não mais é o Jovial senhor de antes.
Há muitas estórias, correndo nas mesas do Mega Jogos, esta é apenas uma delas!!!!!
OS "ALVES"
A família Alves era o que se pode classificar de um grupo familiar austero, onde o pai ditava as regras e comandava os seus num regime bem próximo da disciplina militar.
A um simples olhar do pai, qualquer filho seu sentia-se literalmente humilhado, menos Álvaro, o caçula da pequena tropa, que tinha "cinco soldados rasos e duas soldadas rasantes" , apelido que Álvaro colocara na tropa.
As "soldadas rasantes" eram idênticas, pois eram gêmeas, e prendadas nas coisas do lar, visto que eram as mais velhas na tropas dos "sete subordinados" do General" e da "Generala", como entres si, denominavam os pais.
Álvaro no entanto, embora obedecesse as ordens do "comando superior", podia ser considerado como um rebelde naquela pequena tropa de elite, pois nunca deixada de fazer suas travessuras.
Sim. Tinha respeito aos pais, mas longe estava do pavor que seus irmãos sentiam do "comando superior", seguia as ordens, mas o fazia ao seu modo, mantendo-se com a personalidade livre das influências dos pais.
Pois não foi Álvaro, que colou o chapéu do pai no cabide de casa da avó, no último Domingo de Páscoa? Não havia sido ele que soltara o tal sapo, na reunião para o chá, que a mãe organizara na sala de jantar, pouco antes do Natal? Não havia esvaziado os quatro pneus do carro de seu vigário, de quando da visita que o bom padre fez a família, quando Neuza pegou catapora?
Álvaro não deixava passar a oportunidade de divertir-se, não levando em conta as conseqüências. Tinha ele seus quinze anos ou menos, quando aprontou sua maior proeza.
Já a tempos, comentava com os irmãos que estava sentindo algo estranho", e que crescera pêlos naquele lugar.
O Pai chamou-o e explicou certas coisas, de uma forma rude e rápida, sem haver maiores esclarecimentos, da mesma forma que havia explicado aos irmãos, quando estavam na mesma idade.
O menino começava a tornar-se homem, e a coisa agora era outra, pois as travessuras haviam de mudar de rumo, e foi o que aconteceu, quando uma prima., já mocinha, veio passar férias na casa dos Alves.
Criada fora da rigidez das primas, garota, já com seus quatorze anos, vestia-se com liberdade. Liberdade que Neuza e sua irmã não se permitiam, por ordem dos pais.
Mas a prima era visita, e o "Pelotão" ganhou nova "recruta", mas com menos rigor a ela dispensado.
Álvaro, ao ver a prima circulando pela casa, com os joelhos a mostra, e os seios à saltar do colo, começou a pensar coisas que nunca havia permitido que passasse a léguas de sua imaginação, e começou verdadeiro cerco à prima .
Com o tempo, tornou-se verdadeira sombra da prima, seguindo-a como um cordeirinho faminto.
Não havia lugar que a garota estivesse, que lá não se encontrasse Álvaro com aquele seu olhar de pedinte esfomeado.
Certa feita, o alto comando" resolveu levar à tropa para almoçar fora. Foi uma correria!
No meio da confusão, a porta do quarto de hóspedes foi deixada entreaberta ,enquanto Flávia, a tal prima, trocava-se após o banho.
Álvaro, aproveitando a correria da casa, se postou frente a porta, só saindo dali quinze minutos depois, quando Flávia já estava totalmente vestida.
Embora já pronto para sair, Álvaro teve que trocar-se novamente, antes de entrar no carro do pai para o passeio.
No outro dia, pela manhã, a garota encarregada a lavagem da roupa da casa, encontrou as roupas de baixo do Álvaro como que úmidas, parecendo que haviam caído em um tonel de cola... ou coisa parecida.
ETA CIDADE PORRETA , SÔ
Aquela e uma boa cidade , com uma boa população.
A Igreja Matriz fica na praça 2 de julho , ao lado da agência do Banco do Brasil , onde seu vigário tem conta corrente , que sempre esta no vermelho.
No terreno da Matriz , fica a casa paroquial , onde mora o seu vigário , Ederaldo , o sacristia e Carmem , sua esposa , dona de um corpo estruturalmente bem proporcionado , que a turminha de parceiros de turco , juram que é amante do vigário , mas nunca se conseguiu provar o "corneamento compulsivo" do Ederaldo , mas assim mesmo segue o comentário, que já ultrapassou a mesa do jogo de truco, com certeza.
Do outro lado da praça , fica a padaria do Germano , o cinema e a casa de dona Elclacia, a dona do terreno onde o Marcos "boa boca" montou o único posto de gasolina da cidade, e ficou rico.
Elclacia, além do terreno do posto, é também a dona de todas as casas da rua de baixo, onde fica a casa de Maria Boa Bisca , que recolhe meninas desprotegidas pela vida e as coloca a disposição dos amigos, mantendo a casa aberta, com festa todo dia, a partir das nove da noite.
Elclacia é viuva do Honorário, que foi prefeito, mas isso a muitos anos , quando a cidade valia a pena. Agora, em tempo de eleição, os partidos tem que catar candidato quase a unha, pois o orçamento da cidade não da pra nada!
Filomena dos Santos, Dona Filó, é a única professora da cidade . O ordenado de Filomena e tão pouco que, pra sobreviver, Filó faz "bico" na casa de Maria Boa Bisca. Como se não bastasse o ordenado ser uma miséria Filó não recebe a oito meses, pois a prefeitura alega não ter recursos. Com isso, ganha a cidade, pois a mesma professora que ensina o ABC para os pequenos, ensina o resto da lição, para os mais velhos.
Diz o prefeito que isso é democracia, e ninguém discorda dele, pois afinal a Filó é boa professora e sabe bem dar suas aulas, indo muito além do que diz os planos educacionais da Prefeitura.
A Carmem veio para a cidade com um grupo de ciganos , e se perdeu de amores pelo Ederaldo que estava ainda "ensaiando" para ser sacristão e, quando os ciganos foram embora, Carmem ficou.
Seu vigário apoiou o casal , fez o casamento e deu ao Ederaldo o cargo de sacristão. O mais estranho é que, antes disso, seu vigário nunca quis ninguém na casa paroquial, mas agora anda à comprar roupas pra Carmem, que anda pela cidade em tal luxo que coloca a Maria das Mercês, filha do coronel Fugêncio, nos chinelos.
Não e toa que a turminha do truco fala que o padre passa o Ederaldo pra traz.
A cidade fez movimento pra expulsar a tal da Carmem, quando os ciganos foram embora , mas seu vigário conteve os ânimos.
Agora, com o passar do tempo, Carmem já tem seu espaço, sendo inclusive filha de Maria, respeitada até pelo João Curtido, que vive de porre, vive na praça e faz "xixi" na campa do pobre do Honório, todo dia de Finados, em honra do amigo.
Quem não gosta muito desta "Honraria" com o Honório é a viuva, dona Elclacia, que molha sempre os cotovelos, quando vai rezar o terço no cemitério, em dia de Finados. Aliás, Elclacia reza um terço pró marido, ao lado da campa, no cemitério, todo santo dia às seis da tarde. Seu vigário tá cansado de dizer que é exagero, mas a viuva não leva a sério o aviso do padre, e atrasa o fechar do cemitério todo dia.
Talvez esteja na hora da viuva saber que o Honório não era lá este santo que todo mundo diz, pois mantinha casa montada, sem que a Elclacia soubesse, pra Joana do Peito Caído, ex-afilhada de Maria Boa Bisca, lá na rua do cartume, mas não há quem ganhe coragem de contar pra Elclacia.
É coisa que todo mundo sabe, menos a pobre viuva.
O mais engraçado de tudo isso a Joana Peito Caído, que "na vida civil", tem o nome pomposo de Joana Albuquerque, vive de "leva e traz" com Elclacia, pois as duas são filhas de santo do terreiro de Pai Germano, no morro do cemitério. Passam o dia de Sexta-feira as duas, lado a lado, fazendo os tais quitutes para os santos e, no cair da noite, lá estão as duas, na reza do atabaque. Preparam o banquete, todo enfeitado com lírios silvestres, doces diversos, salgados, farofa sem sal e sem açúcar e o galinha preta. Pouco antes do barracão abrir, há o banho das sete ervas, que Joana prepara com esmeros. Ao cair da tarde de Sexta-feira, pouco depois do crepúsculo, Joana Peito Caído abre as portas do barracão e começa o chegar do povo, gente humilde, trabalhadores do corte da cana, que escolheram o barracão, ao invés da majestosa igreja matriz.
Quando as badaladas da matriz avisam que já são oito da noite de Sexta-feira, Elclacia sai do quartinho e senta-se na cadeira de espalmo longo, no centro do barracão. Agora não e mais a dona da rua de baixo, a proprietária do terreno do posto de gasolina, viuva do Honório; filha de Maria.....
Hoje e Sexta.
Dia de função no terreiro de Pai Germano, onde dona Elclacia e mãe pequena.

|